Ubuntu não deve copiar o Mac

A Canonical está querendo investir na interface do Ubuntu. Os caras estão certos. O Ubuntu pode ser o melhor Linux para o desktop, mas muita gente reclama da interface. Dizem que a primeira coisa que a maioria dos usuários fazem quando acabam de instalar o Ubuntu é mudar sua aparência, mas será que a solução é seguir a interface do Mac?

Eu sinceramente acredito que não. Apesar de muita gente reclamar da interface do Ubuntu, copiar um outro sistema não é uma boa idéia. Vamos primeiro analisar os “problemas visuais” da interface do Ubuntu:

Muita gente reclama das cores, mas será que o problema realmente é o marrom com laranja? Sempre gostei da idéia de fugir do azul que durante anos foi uma espécie de padrão que veio com o Windows. Na minha opinião o marrom e o laranja são excelentes porque dão uma identidade visual ao Ubuntu. Para mim o problema do tema do Ubuntu não são as cores. É possível manter as cores do Ubuntu como estão e ter uma bela interface se mudar o seguinte:

  • ícones
  • contorno das janelas
  • tema das barras
  • papel de parede
  • tela de login
  • botões
  • e outros detalhes

Vamos pegar como exemplo o KDE4. Assim que foi lançado instalei, achei interessante, bonitinho, mas depois comecei a ficar enjoado e percebi que aquele tema preto lembrava o Windows Vista. Péssima idéia. No 4.1 em diante algumas coisa foram mudadas e, apesar de continuar com o tema preto, a barra ficou mais bonita, os papéis de parede ficaram lindos e o KDE inteiro ficou uma obra de arte. Ele acabou encontrando um estilo próprio, apesar das cores.

Nunca gostei dos ícones que vem no Gnome. Se a Canonical pretende investir em interface, uma boa idéia seria contratar o Everaldo para trabalhar em uma versão Human de seu tema de ícones Crystal Project (se ainda não conhece o trabalho de Everaldo, veja um preview na imagem abaixo).

Imagine agora o Ubuntu 9.04 chegando com um novo tema. Mantendo sua identidade visual que é o Marrom e Laranja, mas com um design mais sofisticado, ícones melhorados. Imagine uma versão Ubuntu do tema Crystal Project do Everaldo. Seria algo fantástico! Teriamos uma interface linda e única. Sem precisar copiar ninguém.

Além disso, existem muitas outras funcionalidades que podem ser adaptadas. Sou contra o Linux copiar o Mac, o Windows ou até mesmo outras distribuições, mas adicionar funcionalidades tudo bem, contanto que tenha uma identidade própria.

Muita gente já sabe que adoro o Enlightenment e há mais de um ano uso o pré-alpha do Enlightenment 17 no meu notebook (e adoro). O Enlightenment na minha opinião é perfeito. É lindo, cheio de funcionalidades e ainda assim consegue ser muito leve. Rodo ele tranquilamente em um Celeron com 256Mb. Na minha opinião o Ubuntu teria muito mais a aprender com o Enlightenment 17 do que com o Mac. Por falar nisso, o Gnome no começo usava o Enlightenment como window manager no lugar do Metacity. Talvez seria uma idéia interessante colocar uma opção para os usuários escolherem o E17 como Window Manager do Gnome. A Canonical poderia fazer investir em alguns temas para o E17 para ajudar nesse tipo de integração.

Outros conceitos interessantes são os plasmoids do KDE4. Também existe o tal do Screenlets que pelo que sei já permite até que os usuários rodem os gadgets do Google dentro dele (e por falar nisso existe um módulo do Enlightenment 17 que permite rodar os widgets do Desklets como gadgets do Enlightenment e colocá-los nas shelves ou na Desktop :D ).

Além desses Window Managers e Desktop Managers que citei, existem vários outros com conceitos interessantíssimos que podem ser usados na interface do Ubuntu: Fluxbox, Window Maker, Afterstep, FVWM etc. Por falar nisso, lembrei de um programa interessante que usei no Windows vários anos atrás (quando ainda não usava Linux), o Litestep. Começou como uma espécie de Nextstep para Windows, mas evoluiu de tal forma que o usuário poderia fazer o que quiser com a interface dele. Por essa razão surgiram vários temas muito bem feitos e com conceitos inovadores para esse programa. Isso a quase 10 anos.

Outra coisa que podemos ver é o logotipo do Ubuntu. Apesar de predominar o marrom e o laranja na interface do Ubuntu, seu logotipo tem as cores vermelho e amarelo, além do laranja e do marrom. Essas cores podem ser adicionadas à interface do Ubuntu e ainda assim combinaria bem com o tema.

O mais importante de não copiar o Mac ou nenhuma outra interface como o Windows é que isso jamais iria trazer novos usuários para o Ubuntu. Usuários do Mac jamais iriam parar de usar Mac e começar a usar Ubuntu por causa de uma interface parecida. Da mesma forma que vários usuários do Windows não passaram a usar distribuições que imitam sua interface. Isso apenas queimaria o Ubuntu, o Linux, seus usuários e desenvolvedores. Seriamos tachados de plagiadores, copiadores, sem criatividade etc.

O GNU/Linux já é muito melhor do que o Mac e do que o Windows e pode ainda ser melhor e com uma interface muito melhor. Já temos tudo à disposição, se nos limitarmos a copiarmos nunca evoluiremos e nunca teremos nada melhor. É necessária uma revolução na interface do Ubuntu, não uma cópia de outra interface. Se queremos trazer mais usuários para o Linux, não devemos copiar ninguém. Devemos facilitar, melhorar o sistema, adicionar mais compatibilidade, torná-lo mais atraente e muito mais. E pra isso a palavra de ordem é deve ser INOVAÇÃO e não CÓPIA!



12 Responses to “Ubuntu não deve copiar o Mac”

  1. Hehhehe everaldo é massa, seria bom sim :)
    Mas Everaldo não é um cara só everaldo é http://yellowicon.com/ um dos melhores do mundo. E que eu sáiba não tem falta de trabalho :)

    Último post que Nuno Pinheiro publicou foi: A planet filled with people

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  2. E obrigado pelo comentario sobre o kde 4.1 e ao wallpaper, quanto ao preto, eu não copiei vista não eu já tava fazendo isso antes de vista sair e eu adooooooro o preto:) 4.2 vai ser ainda melhor :) prometo.

    Último post que Nuno Pinheiro publicou foi: A planet filled with people

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  3. Eu não vejo problema com a interface do Ubuntu. Já tentei usar o KDE, mas não gostei porque ele lembra muito o Windows, e ficou bem pesado no meu notebook. Num desktop talvez ele seja melhor. Agora, achei que WM bem da horinha é o Xfce. Super leve e prático. Dependendo da tarefa aqui eu troco a sessão para ele.
    Mas acho que essa questão dos WMs deve ser decidida pelo usuário. Um programador doidão com certeza vai gostar do fluxbox, enquanto um usuário migrando do Windows vai preferir o KDE. Eu trabalho com PHP, assisto animes, e navego na internet usando o Gnome. Subjetivo isso.
    Com certeza falta pouco para o Ubuntu criar a sua própria identidade sem copiar outros SO.

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  4. [...] Pinheiro que me inspirou a tirar essa screenshot depois que comentou no meu post entitulado “Ubuntu não deve copiar Mac“. Sinceramente nunca imaginei que receberia um comentário do Nuno Pinheiro aqui. Fico muito [...]

  5. Concordo plenamente contigo Terramel: acho que o Linux tem de abrir o seu próprio caminho e inovar à sua maneira, sem pressões e com uma identidade própria que o caracteriza. Nos últimos anos os sistemas operativos Linux têm evoluído a uma velocidade alucinante e creio que neste momento, mesmo tendo menos utilizadores do que os utilizadores de outros sistemas, temos aplicações com funcionalidades que a meu ver ultrapassam em muito aquilo que se faz em outros sistemas. Para mim, aplicações como o gnome-do (que neste momento é sem dúvida uma aplicação indispensável para mim, e que com pouquíssimas teclas, advinha o que eu quero fazer), o compiz (que está a elevar os ambientes a outro nível – muito superior ao que é possível fazer em outros sistemas, e com um consumo mais modesto de recursos), funcionalidades como separadores dentro de um explorador de ficheiros, montar arquivos como se fossem unidades amovíveis (onde copiar o ficheiro dentro de um iso, ou de um zip é tão simples e rápido, como copiar um ficheiro de uma pasta para a outra, sem extracção – em primeiro plano), etc, são recursos indispensáveis no meu “ambiente de trabalho”.

    Ó Nuno, olha que prometeres que o kde 4.2 vai ser ainda melhor que o kde 4.1, é uma grande promessa! Bem, se há alguém que o será capaz de o fazer, sem dúvida alguma que és tu… Parabéns pelo teu excelente trabalho.

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  6. “percebi que aquele tema preto lembrava o Windows Vista.”
    não tem nada a ver.

    “Window Maker, Afterstep,” e Litestep são baseado no NextStep:
    http://en.wikipedia.org/wiki/NeXTSTEP

    “á tentei usar o KDE, mas não gostei porque ele lembra muito o Windows,”
    Não percebo em quê, a equipa do KDE nunca andou atrás do windows… ao contrário da equipa do gnome está sempre a imitar o windows.

    O KDE era originalmente baseado no CDE e tem tentado inovar e não emitar os outros tal como diz o slogan deles “Don’t look back”… pq os outros estão atrás.

    Último post que Diogo Piçarra publicou foi: Globs

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  7. O ubuntu é o com a interface mais feia se comparar com o mac e win. Bem que podiam investir mais nisso.

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  8. Mariane: Sim, mas apenas o Ubuntu. Como disse no artigo, se ver o E17 ou o KDE 4.1, eles dão um pau tranquilo no Mac e no Vista :D

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  9. Questão de gosto.

    A interface do Mac OS X, para mim, é muito mais agradável aos olhos que o KDE, Gnome ou Windows. O KDE e o Gnome tem temas muito bons, como o Domino para o KDE 3.5. O KDE 4.x parece estar no caminho certo, mas o Mac OS X ainda é superior.

    E não sou fã boy da Apple.

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  10. [...] Ubuntu não deve copiar o Mac [...]

  11. [...] fazendo uma cagada atrás da outra… Ao invés de focarem em atualizações interessantes ou darem uma mudada no visual (coisa que muitos pedem), eles preferem fuçar no que está funcionando e fazer coisas idiotas como remover a função do [...]

  12. [...] fazendo uma cagada atrás da outra… Ao invés de focarem em atualizações interessantes ou darem uma mudada no visual (coisa que muitos pedem), eles preferem fuçar no que está funcionando e fazer coisas idiotas como remover a função do [...]

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